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Cymbospondylus youngorum
Triássico Piscívoro

Cymbospondylo

Cymbospondylus youngorum

"Vertebras em taca dos Young (em grego: kymbe, taca; spondylos, vertebra; youngorum homenageia Tom e Bonda Young)"

Período
Triássico · Anisiano
Viveu
247–244 Ma
Comprimento
até 17 m
Peso estimado
44.7 t
País de origem
Estados Unidos
Descrito em
2021 por Sander, Griebeler, Klein, Velez Juarbe, Wintrich, Revell & Schmitz

Cymbospondylus youngorum é um ictiossauro gigante do Triássico Médio, descrito em 2021 por Sander e colaboradores na revista Science. Com cerca de 17,65 metros de comprimento e estimados 44,7 toneladas, foi o maior vertebrado do seu tempo, em terra ou no mar, e é considerado o primeiro gigante dos oceanos mesozoicos. Seu crânio de quase 2 metros é alongado e repleto de dentes cônicos com cristas longitudinais, indicando dieta generalista de lulas, peixes e possivelmente outros répteis marinhos. Foi encontrado no Fossil Hill Member da Formação Favret, nas Augusta Mountains de Nevada, cerca de 246 milhões de anos atrás. O aspecto mais notável é evolutivo: a espécie surgiu apenas 3 milhões de anos após os primeiros ictiossauros, mostrando que a linhagem atingiu o gigantismo muito mais rapidamente do que as baleias modernas, que levaram dezenas de milhões de anos para chegar ao mesmo porte.

O Fossil Hill Member é uma unidade do Triássico Médio (Anisiano) que aflora em Nevada, como parte das formações Favret e Prida. Representa um ambiente marinho pelágico profundo, depositado a dezenas de quilômetros da paleocosta oriental do oceano Panthalassa, com sedimentos de lama carbonática abaixo da zona de ondas. A unidade é famosa por preservar um ecossistema marinho inteiro, com abundância de amonoides ceratitídeos, peixes oseos, tubarões hibodontes, pistossauros e, principalmente, vários ictiossauros de grande porte. Além de C. youngorum, o sitio tambem forneceu o macropredador Thalattoarchon saurophagis, o ictiossauro Phalarodon e o enigmatico Omphalosaurus. As Augusta Mountains, onde o holótipo foi encontrado, sao hoje um ponto obrigatório para qualquer pesquisa sobre a evolução precoce de ictiossauros gigantes.

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Habitat

C. youngorum viveu no Anisiano do Triássico Médio, cerca de 246 milhões de anos atras, em mar aberto na margem leste do oceano Panthalassa. O Fossil Hill Member representa um ambiente pelágico profundo, dezenas de quilômetros distante da paleocosta, com sedimentos de lama carbonatica depositados abaixo da zona de ondas. O ecossistema era dominado por cefalópodes ceratitídeos, peixes oseos como Saurichthys, celacantos, tubarões hibodontes e outros répteis marinhos, incluindo Thalattoarchon, Phalarodon e Omphalosaurus.

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Alimentação

A anatomia do crânio sugere dieta generalista: focinho alongado com 43 dentes no maxilar superior e mais de 31 no inferior, cônicos com cristas longitudinais. Presas provavéis incluíam lulas, peixes pelágicos e, possivelmente, outros ictiossauros de menor porte. A modelagem energética publicada por Sander et al. (2021) sugere que o animal se alimentava ativamente de uma base abundante de cefalópodes pós-extinção Permo-Triássica. A base tecidual espessa que sustentava os dentes é um traço único entre ictiossauros.

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Comportamento e sentidos

Comportamento reconstituído a partir de evidencias indiretas. A morfologia hidrodinâmica indica natação sustentada em mar aberto, compatível com estilo de vida similar ao de cachalotes modernos. Por analogia com C. duelferi (Klein et al. 2020), que preserva três embriões in utero, infere-se viviparidade em C. youngorum. Não há evidencia direta de comportamento social ou de caça em grupo, mas a coexistência com vários predadores de topo sugere partilha de nicho por especialização.

Fisiologia e crescimento

Como ictiossauro derivado mas basal, é provável que C. youngorum fosse endotérmico em algum grau. O tamanho corporal sugere mergulhos profundos com pulmões grandes, embora os olhos comparativamente pequenos indiquem caça em zona eufótica (iluminada) e não mesopelágica como Ophthalmosaurus. Estudos de histologia óssea de Cymbospondylus indicam crescimento rápido nos primeiros anos de vida, necessário para atingir dezenas de toneladas em tempo geológico curto.

Configuração continental

Mapa paleogeográfico do Triássico (~90 Ma)

Ron Blakey · CC BY 3.0 · Triássico, ~90 Ma

Durante o Anisiano (~247–244 Ma), Cymbospondylus youngorum habitava a Pangeia, o supercontinente único que unia todos os continentes atuais. O clima era seco e quente em grande parte do interior continental.

Completude estimada 35%

O holótipo LACM DI 157871 preserva um crânio completo de quase 2 metros, vertebras cervicais, o úmero direito (segundo maior úmero de ictiossauro ja registrado) e fragmentos da cintura escapular. A ausência de cauda, pelve e membros posteriores reduz a completude para cerca de 35%, mas o material craniano excepcional permitiu identificar a espécie com segurança. O tamanho total de 17,65 metros foi estimado por Sander et al. (2021) a partir das proporções do úmero e do crânio, comparando com espécimes mais completos do gênero.

Encontrado (6)
Inferido (5)
Esqueleto de dinossauro — other
Slate Weasel CC BY 4.0

Estruturas encontradas

skulllower_jawvertebraeribshumerusscapula

Estruturas inferidas

caudal fin lobessoft tissue outlinecomplete limbsskininternal organs

15 artigos em ordem cronológica — do artigo de descrição original até pesquisas recentes.

1868

Notice of some remains of extinct vertebrates from the Upper Missouri and Pacific railroad surveys

Leidy, J. · Proceedings of the Academy of Natural Sciences of Philadelphia

Joseph Leidy criou o gênero Cymbospondylus a partir de vertebras fossilizadas coletadas no Triássico Médio de Nevada. O nome vem do grego e significa literalmente vertebra em forma de taca, referência ao formato côncavo dos corpos vertebrais. A espécie-tipo C. piscosus hoje é considerada nomen dubium, mas o gênero se manteve válido. Este trabalho abriu a primeira janela cientifica para os ictiossauros norte-americanos e foi o ponto de partida para todas as descrições posteriores, incluindo a de C. youngorum em 2021.

Reconstituição histórica de Cymbospondylus publicada por Osborn em 1917, uma das primeiras ilustrações do gênero nomeado por Leidy em 1868. A cauda em formato de crocodilo reflete o entendimento anatômico da época e hoje é reconhecida como incorreta.

Reconstituição histórica de Cymbospondylus publicada por Osborn em 1917, uma das primeiras ilustrações do gênero nomeado por Leidy em 1868. A cauda em formato de crocodilo reflete o entendimento anatômico da época e hoje é reconhecida como incorreta.

Ilustração de Cymbospondylus petrinus por Grace Ballantine (1907), espécie-tipo funcional do gênero estabelecido por Leidy. As primeiras reconstituições ainda adotavam corpo serpentiforme, antes das descobertas posteriores revelarem a morfologia correta.

Ilustração de Cymbospondylus petrinus por Grace Ballantine (1907), espécie-tipo funcional do gênero estabelecido por Leidy. As primeiras reconstituições ainda adotavam corpo serpentiforme, antes das descobertas posteriores revelarem a morfologia correta.

1908

Triassic Ichthyosauria, with special reference to the American forms

Merriam, J.C. · Memoirs of the University of California

John Campbell Merriam produziu a monografia fundacional sobre ictiossauros triássicos americanos, com descrições osteológicas detalhadas de espécimes de Cymbospondylus coletados em Nevada. O trabalho estabeleceu o padrão anatômico do gênero: crânio alongado, corpo serpentiforme, vertebras profundamente côncavas, membros pareados em forma de nadadeira. As descrições de Merriam continuam sendo referência obrigatória para qualquer novo estudo do gênero, incluindo a descrição de C. youngorum. Muitos espécimes descritos por Merriam estao no Museum of the University of California, Berkeley.

Reconstituição moderna de Cymbospondylus petrinus por Slate Weasel. A espécie, descrita em detalhe por Merriam (1908) em sua monografia, é o táxon mais completo do gênero e serve de base para estimar proporções de C. youngorum.

Reconstituição moderna de Cymbospondylus petrinus por Slate Weasel. A espécie, descrita em detalhe por Merriam (1908) em sua monografia, é o táxon mais completo do gênero e serve de base para estimar proporções de C. youngorum.

Reconstituição de Cymbospondylus petrinus por Nobu Tamura. O corpo alongado e a cabeça comprida estao consistentes com a anatomia descrita por Merriam (1908), embora detalhes como a cauda sejam hoje reconstituídos de maneira diferente.

Reconstituição de Cymbospondylus petrinus por Nobu Tamura. O corpo alongado e a cabeça comprida estao consistentes com a anatomia descrita por Merriam (1908), embora detalhes como a cauda sejam hoje reconstituídos de maneira diferente.

1989

The large ichthyosaur Cymbospondylus buchseri, sp. nov., from the Middle Triassic of Monte San Giorgio (Switzerland), with a survey of the genus in Europe

Sander, P.M. · Journal of Vertebrate Paleontology

Paul Martin Sander descreveu Cymbospondylus buchseri a partir de espécimes do Monte San Giorgio, na Suíça, confirmando a distribuição transcontinental do gênero no Triássico Médio. O espécime suíço preserva cauda e nadadeiras que faltam na maioria dos exemplares norte-americanos, permitindo reconstituir a anatomia pós-craniana completa. Sander estabeleceu, a partir deste trabalho, a linhagem de pesquisa que quase 35 anos depois levaria a descoberta de C. youngorum em 2021. O paper também inclui o primeiro survey abrangente dos registros europeus do gênero.

Modelo em tamanho natural de Cymbospondylus no Museum de Gherdëina, Tirol do Sul, Itália. O modelo representa um exemplar europeu do gênero, categoria à qual pertence C. buchseri descrito por Sander (1989).

Modelo em tamanho natural de Cymbospondylus no Museum de Gherdëina, Tirol do Sul, Itália. O modelo representa um exemplar europeu do gênero, categoria à qual pertence C. buchseri descrito por Sander (1989).

Espécime fóssil de Cymbospondylus sp. encontrado em Seceda, nas Dolomitas italianas, Triássico Médio. A descoberta ilustra a distribuição europeia do gênero documentada pela primeira vez em detalhe por Sander (1989).

Espécime fóssil de Cymbospondylus sp. encontrado em Seceda, nas Dolomitas italianas, Triássico Médio. A descoberta ilustra a distribuição europeia do gênero documentada pela primeira vez em detalhe por Sander (1989).

1994

Cymbospondylus (Ichthyosauria: Shastasauridae) from the Lower Triassic Thaynes Formation of southeastern Idaho

Massare, J.A. & Callaway, J.M. · Journal of Vertebrate Paleontology

Massare e Callaway documentaram material de Cymbospondylus na Formação Thaynes do Triássico Inferior em Idaho, ampliando significativamente a distribuição estratigráfica do gênero. A descoberta sugeriu que o gênero já existia antes do pico do Triássico Médio, pre-figurando a hipótese de evolução rápida de grande porte que seria confirmada décadas depois pela descrição de C. youngorum. O trabalho também forneceu parâmetros comparativos para estudos posteriores sobre o tamanho corporal da linhagem.

Diagrama de comparação de tamanho entre um Cymbospondylus e um humano. O gráfico ilustra as proporções corporais esperadas para exemplares adultos, úteis para entender o escopo dos materiais discutidos por Massare e Callaway (1994).

Diagrama de comparação de tamanho entre um Cymbospondylus e um humano. O gráfico ilustra as proporções corporais esperadas para exemplares adultos, úteis para entender o escopo dos materiais discutidos por Massare e Callaway (1994).

Prancha comparativa de oito ictiossauros, incluindo Cymbospondylus, Utatsusaurus e Mixosaurus. O diagrama contextualiza a posição do gênero no meio da diversidade de ictiossauros triássicos estudada por Massare e Callaway.

Prancha comparativa de oito ictiossauros, incluindo Cymbospondylus, Utatsusaurus e Mixosaurus. O diagrama contextualiza a posição do gênero no meio da diversidade de ictiossauros triássicos estudada por Massare e Callaway.

2006

A new species of Cymbospondylus (Diapsida, Ichthyosauria) from the Middle Triassic of Nevada and a re-evaluation of the skull osteology of the genus

Fröbisch, N., Sander, P.M. & Rieppel, O. · Zoological Journal of the Linnean Society

Fröbisch, Sander e Rieppel descreveram Cymbospondylus nichollsi a partir de material do Triássico Médio em Nevada e reavaliaram detalhadamente a osteologia craniana de todo o gênero. O trabalho identificou caracteres diagnósticos novos nos ossos do crânio, como padrões de sutura e morfologia da região temporal, que seriam depois usados por Sander et al. (2021) para diagnosticar C. youngorum. A revisão da osteologia craniana é até hoje a base para qualquer nova descrição de espécie no gênero.

Comparação entre cinco ictiossauros longirrostros do Triássico incluindo Cymbospondylus buchseri. O diagrama ilustra os padrões de alongamento do focinho que Fröbisch et al. (2006) discutiram ao reavaliar a osteologia craniana do gênero.

Comparação entre cinco ictiossauros longirrostros do Triássico incluindo Cymbospondylus buchseri. O diagrama ilustra os padrões de alongamento do focinho que Fröbisch et al. (2006) discutiram ao reavaliar a osteologia craniana do gênero.

Ilustração histórica de Cymbospondylus por Henry Fairfield Osborn (1917) em 'The origin and evolution of life'. Contextualiza a tradição de estudo do gênero iniciada no século XIX; Fröbisch et al. (2006) integraram essas descrições clássicas na re-avaliação da osteologia craniana, estabelecendo os caracteres que hoje distinguem as espécies do gênero.

Ilustração histórica de Cymbospondylus por Henry Fairfield Osborn (1917) em 'The origin and evolution of life'. Contextualiza a tradição de estudo do gênero iniciada no século XIX; Fröbisch et al. (2006) integraram essas descrições clássicas na re-avaliação da osteologia craniana, estabelecendo os caracteres que hoje distinguem as espécies do gênero.

2012

Cymbospondylus vertebrae (Ichthyosauria, Shastasauridae) from the Upper Anisian Prezzo Limestone (Middle Triassic, Southern Alps) with an overview of the chronostratigraphic distribution of the group

Balini, M. & Renesto, S.C. · Rivista Italiana di Paleontologia e Stratigrafia

Balini e Renesto descreveram vertebras de Cymbospondylus na Formação Prezzo Limestone do Anisiano Superior nos Alpes italianos, expandindo o registro europeu do gênero e fornecendo dados chave sobre sua distribuição cronoestratigráfica. O paper apresenta uma síntese sobre em quais estagios do Triássico Médio e Inicial o gênero aparece, o que ajudou Sander et al. (2021) a posicionar temporalmente C. youngorum dentro da historia do clado. A distribuição chronostratigráfica do gênero reforça a tese de que o gigantismo evoluiu rapidamente.

Reconstituição de Mixosaurus por Nobu Tamura. Mixosaurus co-ocorre com Cymbospondylus em várias localidades europeias discutidas por Balini e Renesto (2012), ajudando a correlacionar a estratigrafia do Triássico Médio.

Reconstituição de Mixosaurus por Nobu Tamura. Mixosaurus co-ocorre com Cymbospondylus em várias localidades europeias discutidas por Balini e Renesto (2012), ajudando a correlacionar a estratigrafia do Triássico Médio.

Diagrama de escala de Mixosaurus comparado com humano. O contraste de tamanho entre pequenos ictiossauros como Mixosaurus e grandes Cymbospondylus é ponto-chave para entender a dinâmica estratigráfica europeia estudada por Balini e Renesto (2012).

Diagrama de escala de Mixosaurus comparado com humano. O contraste de tamanho entre pequenos ictiossauros como Mixosaurus e grandes Cymbospondylus é ponto-chave para entender a dinâmica estratigráfica europeia estudada por Balini e Renesto (2012).

2013

Macropredatory ichthyosaur from the Middle Triassic and the origin of modern trophic networks

Fröbisch, N.B., Fröbisch, J., Sander, P.M., Schmitz, L. & Rieppel, O. · Proceedings of the National Academy of Sciences USA

Fröbisch e colegas descreveram Thalattoarchon saurophagis, o lagarto-rei comedor de lagartos, ictiossauro macropredador de mais de 8,6 metros encontrado no mesmo Fossil Hill Member de Nevada onde mais tarde seria achado C. youngorum. O trabalho mostrou que a rede trófica marinha moderna, com predadores de topo que caçam presas do seu tamanho, já existia apenas 8 milhões de anos após a extinção Permo-Triássica. Thalattoarchon é contemporâneo e simpátrico de C. youngorum e compartilha o mesmo ecossistema descrito por Sander et al. (2021).

Holótipo de Thalattoarchon saurophagis no Field Museum of Natural History de Chicago. O espécime foi o objeto central do paper de Fröbisch et al. (2013) que estabeleceu a rede trófica marinha moderna no Triássico Médio.

Holótipo de Thalattoarchon saurophagis no Field Museum of Natural History de Chicago. O espécime foi o objeto central do paper de Fröbisch et al. (2013) que estabeleceu a rede trófica marinha moderna no Triássico Médio.

Reconstituição artistica de Thalattoarchon saurophagis, o macropredador simpátrico de C. youngorum no Fossil Hill Member de Nevada descrito por Fröbisch et al. (2013).

Reconstituição artistica de Thalattoarchon saurophagis, o macropredador simpátrico de C. youngorum no Fossil Hill Member de Nevada descrito por Fröbisch et al. (2013).

2014

Early Triassic marine biotic recovery: the predators' perspective

Scheyer, T.M., Romano, C., Jenks, J. & Bucher, H. · PLOS ONE

Scheyer e colegas analisaram a recuperação biótica marinha após a extinção Permo-Triássica sob a ótica dos predadores. Os autores identificaram sinais de diversidade e complexidade de predadores de topo muito antes do que se supunha, incluindo evidencias de ictiossauros basais como Cymbospondylus e um possível úmero gigante no Triássico Inferior de Idaho. O artigo é um precursor direto das conclusoes de Sander et al. (2021): a retomada das redes tróficas marinhas foi mais rápida do que o modelo clássico previa, e ictiossauros foram protagonistas dessa retomada.

Reconstituição de Shonisaurus por Nobu Tamura. Gigantes posteriores como Shonisaurus ilustram o ciclo de escalada evolutiva estudado por Scheyer et al. (2014), que começou já no Triássico Inferior.

Reconstituição de Shonisaurus por Nobu Tamura. Gigantes posteriores como Shonisaurus ilustram o ciclo de escalada evolutiva estudado por Scheyer et al. (2014), que começou já no Triássico Inferior.

Fóssil de Shonisaurus popularis, fóssil do estado de Nevada. Junto com Cymbospondylus, ilustra a tendência de grandes predadores marinhos analisada por Scheyer et al. (2014).

Fóssil de Shonisaurus popularis, fóssil do estado de Nevada. Junto com Cymbospondylus, ilustra a tendência de grandes predadores marinhos analisada por Scheyer et al. (2014).

2018

Large-sized ichthyosaurs from the Lower Saurian niveau of the Vikinghøgda Formation (Early Triassic), Marmierfjellet, Spitsbergen

Engelschiøn, V.S., Delsett, L.L., Roberts, A.J. & Hurum, J.H. · Norwegian Journal of Geology

Engelschiøn e colegas documentaram restos de ictiossauros de grande porte no Triássico Inferior de Spitsbergen, nas ilhas Svalbard da Noruega. Os autores descrevem vertebras e fragmentos mandibulares que ampliam geograficamente o registro de ictiossauros grandes para o Ártico e fornecem evidencias de que o gigantismo já começava a surgir antes do Anisiano. Este trabalho precedeu e fundamentou a tese defendida por Sander et al. (2021) de que C. youngorum foi resultado de uma escalada evolutiva rápida iniciada poucos milhões de anos apos a extinção Permo-Triássica.

Reconstituição da família Shastasauridae, grupo de grandes ictiossauros triássicos próximos de Cymbospondylidae. O material gigante do Ártico descrito por Engelschiøn et al. (2018) se encaixa nessa tradição de grandes ictiossauros triássicos.

Reconstituição da família Shastasauridae, grupo de grandes ictiossauros triássicos próximos de Cymbospondylidae. O material gigante do Ártico descrito por Engelschiøn et al. (2018) se encaixa nessa tradição de grandes ictiossauros triássicos.

Reconstituição alternativa de Shonisaurus. Os grandes ictiossauros do Ártico descritos por Engelschiøn et al. (2018) tem proporções comparáveis, destacando que o gigantismo era generalizado globalmente no Triássico.

Reconstituição alternativa de Shonisaurus. Os grandes ictiossauros do Ártico descritos por Engelschiøn et al. (2018) tem proporções comparáveis, destacando que o gigantismo era generalizado globalmente no Triássico.

2019

A new phylogeny of ichthyosaurs (Reptilia: Diapsida)

Moon, B.C. · Journal of Systematic Palaeontology

Benjamin Moon publicou uma nova filogenia abrangente dos ictiossauros baseada em uma matriz revisada de caracteres. Cymbospondylus foi recuperado como um dos ictiossauros mais basais, fora de Hueneosauria, posição que seria depois confirmada pelas analises de Bindellini et al. (2021) e Sander et al. (2021). O trabalho de Moon é a matriz filogenética de referência moderna para ictiossauros basais e a base metodológica das hipóteses evolutivas discutidas na descrição de C. youngorum, incluindo a recuperação de Cymbospondylidae como família distinta.

Comparação esquelética entre ictiossauro e golfinho, exemplificando convergência evolutiva. A posição basal de Cymbospondylus recuperada por Moon (2019) é essencial para calibrar o timing desse processo.

Comparação esquelética entre ictiossauro e golfinho, exemplificando convergência evolutiva. A posição basal de Cymbospondylus recuperada por Moon (2019) é essencial para calibrar o timing desse processo.

Diagrama de escala de Shonisaurus por Matt Martyniuk. O posicionamento filogenético de Shonisaurus em relação a Cymbospondylus é um dos pontos chave da nova filogenia proposta por Moon (2019).

Diagrama de escala de Shonisaurus por Matt Martyniuk. O posicionamento filogenético de Shonisaurus em relação a Cymbospondylus é um dos pontos chave da nova filogenia proposta por Moon (2019).

2020

A new cymbospondylid ichthyosaur (Ichthyosauria) from the Middle Triassic (Anisian) of the Augusta Mountains, Nevada, USA

Klein, N., Schmitz, L., Wintrich, T. & Sander, P.M. · Journal of Systematic Palaeontology

Klein, Schmitz, Wintrich e Sander descreveram Cymbospondylus duelferi a partir de material do Anisiano nas Augusta Mountains de Nevada, preparando o terreno metodológico para a descrição de C. youngorum no ano seguinte. O trabalho recuperou as espécies nevadanas de Cymbospondylus como um clado monofilético, separado das espécies europeias, e formalizou a família Cymbospondylidae. O holótipo de C. duelferi também preserva restos embrionários, confirmando viviparidade no gênero, informação fundamental para entender a biologia reprodutiva de toda a linhagem.

Cymbospondylus petrinus nadando próximo a um grupo de Phalarodon fraasi. A cena paleoecológica ilustra o tipo de simpatria entre espécies de Cymbospondylus discutida por Klein et al. (2020) ao formalizar o clado nevadano.

Cymbospondylus petrinus nadando próximo a um grupo de Phalarodon fraasi. A cena paleoecológica ilustra o tipo de simpatria entre espécies de Cymbospondylus discutida por Klein et al. (2020) ao formalizar o clado nevadano.

Reconstituição em vida de Mixosaurus. O clado nevadano de Cymbospondylus formalizado por Klein et al. (2020) viveu simpatricamente com mixossaurídeos como os ilustrados aqui, distribuindo nichos alimentares entre si.

Reconstituição em vida de Mixosaurus. O clado nevadano de Cymbospondylus formalizado por Klein et al. (2020) viveu simpatricamente com mixossaurídeos como os ilustrados aqui, distribuindo nichos alimentares entre si.

2021

Cranial anatomy of Besanosaurus leptorhynchus Dal Sasso & Pinna, 1996 (Reptilia: Ichthyosauria) from the Middle Triassic Besano Formation of Monte San Giorgio, Italy/Switzerland: taxonomic and palaeobiological implications

Bindellini, G., Wolniewicz, A.S., Miedema, F., Scheyer, T.M. & Dal Sasso, C. · PeerJ

Bindellini e colegas revisaram a anatomia craniana de Besanosaurus leptorhynchus em uma analise filogenética ampla que posicionou Cymbospondylus como um dos ictiossauros mais basais, em uma posição mais basal até que Mixosauridae. O trabalho é relevante para C. youngorum porque estabelece o enquadramento filogenético no qual o gigantismo da espécie é interpretado: se Cymbospondylus é basal, o alcance do gigantismo por C. youngorum significa que o caráter evoluiu rápida e independentemente, sem precisar passar pelas linhagens mais derivadas de ictiossauros.

Comparação das cabeças dos três ictiossauros da Formação Besano por Bindellini et al. (2021): Besanosaurus, Mixosaurus e Cymbospondylus buchseri. Ilustra a diversidade morfológica em um único ecossistema Triássico.

Comparação das cabeças dos três ictiossauros da Formação Besano por Bindellini et al. (2021): Besanosaurus, Mixosaurus e Cymbospondylus buchseri. Ilustra a diversidade morfológica em um único ecossistema Triássico.

Paleofauna da Formação Besano, incluindo Cymbospondylus e outros ictiossauros. O contexto ecológico reconstruído por Bindellini et al. (2021) corresponde à paleocomunidade em que evoluiram as espécies do gênero.

Paleofauna da Formação Besano, incluindo Cymbospondylus e outros ictiossauros. O contexto ecológico reconstruído por Bindellini et al. (2021) corresponde à paleocomunidade em que evoluiram as espécies do gênero.

2021

Early giant reveals faster evolution of large body size in ichthyosaurs than in cetaceans

Sander, P.M., Griebeler, E.M., Klein, N., Velez Juarbe, J., Wintrich, T., Revell, L.J. & Schmitz, L. · Science

Artigo fundador de C. youngorum. Sander e colegas descrevem o holótipo LACM DI 157871, com crânio de quase 2 metros, vertebras cervicais, úmero direito e fragmentos da cintura escapular, coletados no Fossil Hill Member da Formação Favret. Os autores estimam comprimento máximo de 17,65 metros e peso de 44,7 toneladas, e mostram que o gigantismo em ictiossauros evoluiu aproximadamente duas vezes mais rápido que em cetáceos modernos. O trabalho apresenta modelagem energética comparando os dois grupos e conclui que a abundante base de presas pelágicas pos-extinção Permo-Triássica, especialmente cefalópodes, alimentou a rápida escalada de tamanho.

Reconstituição de Cymbospondylus youngorum por Mariolanzas (2023), baseada no holótipo LACM DI 157871 descrito por Sander et al. (2021). A proporção cabeça-corpo ilustra o estilo de caça generalista do ictiossauro gigante.

Reconstituição de Cymbospondylus youngorum por Mariolanzas (2023), baseada no holótipo LACM DI 157871 descrito por Sander et al. (2021). A proporção cabeça-corpo ilustra o estilo de caça generalista do ictiossauro gigante.

Cena paleoecológica mostrando C. youngorum interagindo com Thalattoarchon juvenil. Sander et al. (2021) descrevem essa interação possível entre os dois macropredadores do Fossil Hill Member como parte da rede trófica apresentada no paper.

Cena paleoecológica mostrando C. youngorum interagindo com Thalattoarchon juvenil. Sander et al. (2021) descrevem essa interação possível entre os dois macropredadores do Fossil Hill Member como parte da rede trófica apresentada no paper.

2021

Early and fast rise of Mesozoic ocean giants

Delsett, L.L. & Pyenson, N.D. · Science

Lene Delsett e Nicholas Pyenson escreveram o comentário Perspective na mesma edição da Science em que C. youngorum foi descrito. Os autores contextualizam a descoberta dentro da historia evolutiva maior dos gigantes marinhos, comparando ictiossauros, plesiossauros, mosassauros e cetáceos. A principal conclusão é que C. youngorum representa um modo de evolução de grande tamanho distinto do das baleias: mais rápido, mais precoce e aparentemente ligado a uma base de presas pelágicas densa de cefalópodes. O artigo é referência obrigatória para discussões sobre gigantismo marinho mesozoico.

Reconstituição em vida de Shonisaurus popularis. Delsett e Pyenson (2021) comparam gigantes como Shonisaurus com C. youngorum para mostrar que o gigantismo em ictiossauros aconteceu mais rápido que em cetáceos.

Reconstituição em vida de Shonisaurus popularis. Delsett e Pyenson (2021) comparam gigantes como Shonisaurus com C. youngorum para mostrar que o gigantismo em ictiossauros aconteceu mais rápido que em cetáceos.

Reconstituição de Mixosaurus cornalianus. Delsett e Pyenson (2021) contextualizam a evolução do gigantismo dos ictiossauros diante da diversidade de formas menores, como os mixossaurídeos, presentes no mesmo intervalo temporal.

Reconstituição de Mixosaurus cornalianus. Delsett e Pyenson (2021) contextualizam a evolução do gigantismo dos ictiossauros diante da diversidade de formas menores, como os mixossaurídeos, presentes no mesmo intervalo temporal.

2024

The last giants: New evidence for giant Late Triassic (Rhaetian) ichthyosaurs from the UK

Lomax, D.R., De la Salle, P., Perillo, M., Reynolds, J., Reynolds, R. & Waldron, J.F. · PLOS ONE

Lomax e colegas descreveram Ichthyotitan severnensis, um ictiossauro gigante do Triássico Superior (Rhaetiano) do Reino Unido, com estimativas de até 25 metros de comprimento. O trabalho é relevante para entender C. youngorum porque demonstra que o gigantismo em ictiossauros não foi um evento único: reaparece ao longo de toda a historia do clado, sugerindo que as pressões ecológicas e a base de presas pelágicas permitiram repetidas escaladas de tamanho. O contraste Anisiano (C. youngorum) versus Rhaetiano (Ichthyotitan) moldurou o gigantismo como traço recorrente em ictiossauros.

Comparação de tamanho entre Shonisaurus e humano. Lomax et al. (2024) usam comparações análogas para contextualizar Ichthyotitan, candidato a maior ictiossauro, e situar C. youngorum na sequência evolutiva do gigantismo.

Comparação de tamanho entre Shonisaurus e humano. Lomax et al. (2024) usam comparações análogas para contextualizar Ichthyotitan, candidato a maior ictiossauro, e situar C. youngorum na sequência evolutiva do gigantismo.

Exposição de Shonisaurus em Las Vegas. O gênero é parente filogeneticamente próximo dos giants discutidos por Lomax et al. (2024), junto com linhagens como a de C. youngorum.

Exposição de Shonisaurus em Las Vegas. O gênero é parente filogeneticamente próximo dos giants discutidos por Lomax et al. (2024), junto com linhagens como a de C. youngorum.

LACM DI 157871 (holótipo) — Natural History Museum of Los Angeles County, Los Angeles, EUA

Mariolanzas, 2023, CC BY-SA 4.0 (reconstituição baseada no holótipo LACM DI 157871)

LACM DI 157871 (holótipo)

Natural History Museum of Los Angeles County, Los Angeles, EUA

Completude: ~35%
Encontrado em: 1998
Por: Paul Martin Sander

Holótipo de Cymbospondylus youngorum, inclui crânio completo de quase 2 metros, vertebras cervicais, úmero direito (segundo maior úmero de ictiossauro registrado) e fragmentos da cintura escapular. Exumado entre 2014 e 2015 nas Augusta Mountains de Nevada e descrito em 2021. Em exibição permanente no museu em Los Angeles.

Cymbospondylus sp. (Seceda) — Museum de Gherdëina, Urtijëi, Tirol do Sul, Itália

H. Zell (Llez), 2017, CC BY-SA 3.0

Cymbospondylus sp. (Seceda)

Museum de Gherdëina, Urtijëi, Tirol do Sul, Itália

Completude: ~30%
Encontrado em: 2017
Por: Coletado em sitio de Seceda, Dolomitas italianas

Espécime europeu atribuído ao gênero Cymbospondylus do Triássico Médio das Dolomitas italianas. O museu também mantem em exposição um modelo em tamanho natural de cerca de 9 metros representando o gênero, útil como referência visual comparativa para C. youngorum.

Cymbospondylus youngorum é uma espécie descrita em 2021, há apenas cinco anos, e por isso ainda não entrou de forma significativa na cultura pop. O gênero Cymbospondylus de forma geral teve apenas uma aparição relevante, na serie docuficcao da BBC Chased by Sea Monsters (2003), onde é mostrado como predador lento e traiçoeiro dos mares triássicos. Como a descoberta de C. youngorum é recente, ainda não houve representação especifica desta espécie em filmes de grande público, documentários como Prehistoric Planet ou Life on Our Planet. O maior alcance midiatico de C. youngorum até hoje foi o próprio lancamento do paper na Science em dezembro de 2021, acompanhado de cobertura massiva na imprensa cientifica (New York Times, Live Science, National Geographic, Sci-News), e o vídeo institucional Earth's First Giant produzido pelo Natural History Museum of Los Angeles County. É provável que futuras produções sobre a vida marinha triássica incluam a espécie, agora que o titulo de primeiro gigante dos oceanos foi reconhecido.

2003 📹 Chased by Sea Monsters (Sea Monsters: A Walking with Dinosaurs Trilogy) — Jasper James, Chloe Leland Wikipedia →
2021 📹 Earth's First Giant (NHM Los Angeles exhibit video) — Natural History Museum of Los Angeles County Wikipedia →
Reptilia
Ichthyosauria
Cymbospondylidae
Cymbospondylus
Primeiro fóssil
1998
Descobridor
Paul Martin Sander (localizou o espécime em 1998; exumação 2014-2015)
Descrição formal
2021
Descrito por
Sander, Griebeler, Klein, Velez Juarbe, Wintrich, Revell & Schmitz
Formação
Fossil Hill Member, Favret Formation
Região
Nevada (Augusta Mountains, Pershing County)
País
Estados Unidos
Leidy, J. (1868) — Proceedings of the Academy of Natural Sciences of Philadelphia

Curiosidade

A espécie Cymbospondylus youngorum foi nomeada em honra de Tom e Bonda Young, donos de uma cervejaria em Nevada chamada Great Basin Brewing Company. Tom Young criou uma cerveja batizada de Ichthyosaur IPA em homenagem aos fósseis do estado. Apos os Young financiarem a escavação do gigante, a equipe resolveu homenageá-los no nome cientifico do ictiossauro, fazendo deste talvez o primeiro animal extinto nomeado a partir de uma cerveja.

Última revisão: 24 de abril de 2026

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